sexta-feira, 16 de setembro de 2011

CRIMINOLOGIA E MÚSICA PARA A SEMANA: Trechos "psicanalíticos"


Freud, apreciador de literatura, também percebia que toda a influência de um mundo interior desconhecido em cada pessoa sempre foi prevista pelos poetas que manifestaram o que agora ele tentava explicar.

E já vale como a música para a sexta-feira!

"Uma poesia ártica,
clara, é isso que eu desejo.
Uma prática pálida,
três versos de gelo.
Uma frase-superfície
onde vida-frase alguma
não seja mais possível.
Frase, não, Nenhuma.
Uma lira nula,
reduzida ao puro mínimo,
um piscar do espírito,
a única coisa única.
Mas falo. E, ao falar, provoco
nuvens de equívocos
(ou enxame de monólogos?)
Sim, inverno, estamos vivos." (Paulo Leminski)

“there is a place in the heart that
will never be filled
a space
and even during the
best moments
and
the greatest
times
we will know it
we will know it
more than
ever
there is a place in the heart that
will never be filled
and
we will wait
and
wait
in that space” (Charles Bukowski)
[1]

Herman Hesse, “Tratado do Lobo da Estepe”:
 “nele o homem e o lobo não caminhavam juntos, mas apenas permaneciam em contínua e mortal inimizade e um vivia apenas para causar dano ao outro, e quando há dois inimigos mortais num mesmo sangue e na mesma alma, então a vida é uma desgraça. Bem, cada qual tem seu fado, e nenhum deles é leve”.

"Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia a dia.
Chegamos? Não chegamos?
- Partimos. Vamos. Somos.
 (Sebastião da Gama)

“Uma lata existe para conter algo,
Mas quando o poeta diz lata
Pode estar querendo dizer o incontível
Uma meta existe para ser um alvo,
Mas quando o poeta diz meta
Pode estar querendo dizer o inatingível
Por isso não se meta a exigir do poeta
Que determine o conteúdo em sua lata
Na lata do poeta tudo-nada cabe,
Pois ao poeta cabe fazer
Com que na lata venha caber
O incabível
Deixe a meta do poeta, não discuta,
Deixe a sua meta fora da disputa
Meta dentro e fora, lata absoluta
Deixe-a simplesmente metáfora” (Gilberto Gil)

"Lutar com a palavra é a luta mais vã, no entanto lutamos mal rompe a manhã." (Carlos Drummond de Andrade)

“Tudo o que quer me dar/É demais/É pesado/Não há paz.
Tudo o que quer de mim/Irreais/Expectativas/ Desleais
Mesmo que se segure/Quero que se cure/Desta pessoa que o aconselha” 
(Vanessa Da Mata, Bem Harper)

“É preciso amor pra poder pulsar” (Almir Sater e Renato Teixeira)

“Mesmo quando ele consegue o que ele quis,  quando tem já não quer!  Acha alguma coisa nova na TV  o que não pode ter. E deixa de gostar,  larga mão do que ele já tem.  Passa então a amar  tudo aquilo que não ganhou” (Rodrigo Amarante)
“Tudo que morre fica vivo na lembrança, como é difícil viver carregando um cemitério na cabeça” (Alvaro Prieto Lopes, Bruno Castro Gouveis e outros). 

“Vivo condenado a fazer o que não quero
Então bem comportado às vezes eu me desespero
Se faço alguma coisa sempre alguém vem me dizer
Que isso ou aquilo não se deve fazer
Restam meus botões...
Já não sei mais o que é certo
E como vou saber
O que eu devo fazer
Que culpa tenho eu
Me diga amigo meu
Será que tudo o que eu gosto É ilegal, é imoral ou engorda” (Roberto Carlos/ Erasmo Carlos)

“Eu não tenho mais a cara que eu tinha
No espelho essa cara já não é minha
Não vou me adaptar” (Nando Reis)

 Novamente Herman Hesse: “Para alcançar isto, ou para, afinal, ser capaz de tentar o salto no desconhecido, teria um lobo da estepe de defrontar-se algumas vezes consigo mesmo, olhar profundamente o caos de sua própria alma e chegar à plena consciência de si mesmo. Sua existência enigmática revelar-se-ia então para ele em toda sua invariabilidade e ser-lhe-ia impossível para sempre no futuro escapar do inferno de seus impulsos e refugiar-se em consolos filosóficos e sentimentais. Seria necessário que o homem e o lobo se conhecessem mutuamente sem falsas máscaras sentimentais, que se fitassem nos olhos em toda a sua nudez. Então explodiriam ou se separariam para sempre, de modo que não voltariam a existir lobos da estepe ou chegariam a bons termos à luz nascente do humor”.

“As palavras são prisões capazes de receber múltiplos conteúdos” (Bergson)


Eu quis te conhecer, mas tenho que aceitar
Caberá ao nosso amor o eterno ou o não dá
Pode ser cruel a eternidade
Eu ando em frente por sentir vontade
Eu quis te convencer, mas chega de insistir
Caberá ao nosso amor o que há de vir
Pode ser a eternidade má
Eu ando em frente por sentir saudade (Marcelo Camelo)


[1]              Há um lugar no coração, que nunca estará completo, um espaço, e mesmo nos melhores momentos e nos grandes tempos, nós saberemos disto, nós saberemos disto mais do que nunca, há um lugar no coração que nunca estará completo, e nós esperaremos e esperaremos neste lugar. Em: – Essa loucura roubada que não desejo a ninguém a não ser a mim mesmo amém.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Criminologia - Para pensar em Frenologia e Julgamento pelas Aparências







Feios têm mais chance de condenação

fonte: http://tudosobreseguranca.com.br/portal/index.php?option=com_content&task=view&id=714&Itemid=101
 

Pessoas feias têm mais chances de serem condenadas por júris populares do que pessoas bonitas, de acordo com um estudo realizado pela Universidade de Bath, no Reino Unido.

No estudo, cada um dos 96 voluntários (metade brancos, metade negros) recebeu a transcrição de um roubo fictício, com uma foto do suposto réu.

A descrição do crime era sempre a mesma, mas fotos diferentes foram anexadas. Duas das fotos mostravam réus negros, um considerado feio e outro bonito por participantes de um estudo separado. Foram usadas ainda duas fotos de réus brancos, um belo e outro feio.

Os voluntários foram orientados a julgar a culpa do réu em uma escala de zero a dez e dar um veredicto de culpado ou inocente. No caso de considerarem o réu culpado, eles precisaram ainda estabelecer uma sentença.


Bonitos e feios

O estudo observou que os jurados tendem a considerar os réus atraentes menos culpados do que os réus feios. "Nosso estudo confirmou pesquisas anteriores sobre os efeitos das características dos réus, tais como a aparência física, nas decisões de júris.

Os réus atraentes são ao que parece julgados de forma menos rígida do que os réus feios", afirmou a pesquisadora Sandie Taylor. "Talvez a Justiça não seja tão cega assim", acrescentou.

Outra descoberta interessante foi que a etnia do réu ou do jurado não afetou o veredicto. Mas os réus negros e feios tiveram sentenças mais longas quando considerados culpados. "É interessante que ser um réu negro e pouco atraente só teve impacto na sentença, mas não no veredicto de culpa dado pelos jurados."

"Eu acho, no entanto, que é uma descoberta positiva o fato de que nem os participantes brancos nem os negros mostraram uma inclinação para com seu próprio grupo étnico”, disse Taylor. O estudo foi apresentado na Conferência Anual da Sociedade Britânica de Psicologia.