segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

MÚSICA PARA O NATAL: George Harrison - Here Comes The Sun

"Mas para vós, os que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, trazendo salvação nas suas asas; e vós saireis e saltareis como bezerros da estrebaria". Ml 4:2 


quinta-feira, 22 de novembro de 2012

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Ação afirmativa ou reforço da estigmatização?

Sugestão do colega Igor Rabel Corso para nossa reflexão:

Alunos do 1º período de Direito, o que pensam disso como exemplo de ação afirmativa? Alunos do 2º período de Direito, tal ação contribui ou piora a estigmatização?


25/10/2012 20h29 - Atualizado em 25/10/2012 20h30

Alerj aprova projeto de lei que reserva



5% das vagas públicas a ex-detentos


Prestadoras de serviço ao estado terão que adotar cota.
Proposta ainda será analisada pelo governador Sérgio Cabral.

Do G1 Rio
As prestadoras de serviço do estado do Rio de Janeiro terão que reservar 5% de suas vagas de emprego a ex-presidiários. A decisão foi tomada após sessão na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) nesta quinta-feira (25). Pelo texto, poderes executivo, legislativo e judiciário, além de entidades da administração indireta, terão que incluir a nova cláusula em todos os novos editais de licitação.
O percentual se aplicará em todos os cargos oferecidos, que serão preenchidos em seleção única. Caso não haja candidatos egressos do sistema penitenciário, as vagas serão revertidas aos demais candidatos.
O governador Sérgio Cabral tem até 15 dias úteis para sancionar ou vetar o projeto de lei

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

CRIMINOLOGIA - Meios Institucionais e Objetivos Culturais (ou: "não ouçam sertanejo aluninhos")




     Dentro do processo de deslegitimação da Ideologia da Defesa Social, é possível confrontar o Princípio do Bem e do Mal com a Teoria Estrutural Funcionalista e da Anomia.

     O princípio afirma que a sociedade seria perfeitamente dividida entre bem e mal, enquanto a teoria vem demonstrar que mesmo o bem tem o mal em sua estrutura e que o mal (criminalidade), cumpriria alguma função necessária à sociedade, sendo parte de sua estrutura.

     O desvio é produto da estrutura social, tanto quanto o comportamento adequado às normas. Merton transforma a teoria da anomia de Durkheim em teoria da criminalidade, fala da contradição entre estrutura social e cultura, esta propõe metas e comportamentos para alcançar tais metas. A estrutura social dá ou não acesso a estas metas. Esta desproporção está na origem dos crimes.

     Observa-se que algumas metas que indicariam o sucesso são sugeridas pela cultura à toda a sociedade, notadamente pelos meios de comunicação social. Sugere-se que o indivíduo bem sucedido seria aquele que já alcançou, por exemplo: conforto financeiro, beleza e bem estar físico, aperfeiçoamento intelectual e fama, status ou reconhecimento.

     Para atingir as referidas metas ou objetivos culturais existem os chamados meios institucionais, ou seja, as maneiras julgadas adequadas para se chegar até os objetivos. Assim, para enriquecer o meio institucional seria o trabalho, herança ou sorte; para o bem-estar físico e um ideal estético, o meio seria ter hábitos saudáveis, exercitar-se, alimentar-se bem, etc; para o progresso intelectual o meio é o estudo e para a fama o caminho seria o talento.
            
     Ocorre que nem todas as pessoas encontram-se à mesma distância de tais metas, e algum momento da vida percebem que, lançando mão dos meios institucionais talvez jamais atinjam as metas culturais. Cada indivíduo então responde de uma forma a esta percepção.

     Robert Merton propõe 5 formas de adequação à tal distância:

a)        Conformidade: possibilita a sociedade, aceita meios e fins. O indivíduo dedica-se aos meios institucionais para, por meio deles, atingir as metas culturais.

b)        Inovação: adere aos fins sem respeito aos meios. Comportamento criminoso, extratos sociais inferiores estão mais expostos. Condutas que configuram verdadeiros atalhos entre os meios institucionais e os fins culturais.

c)         Ritualismo: respeito formal aos meios, sem perseguir os fins. Basta o ritual, basta a aparência de perquirir os mesmos objetivos do restante da sociedade.

d)        Apatia/Evasão/Retração: nega fins e meios. Procura uma vida alternativa, retirando-se da sociedade e seus modelos.

e)    Rebelião: propõe novos fins e novos meios. Não apenas nega mas afirma outros. Deseja uma nova sociedade para si e para os demais.

MODO DE ADAPTAÇÃO
OBJETIVOS CULTURAIS
MEIOS INSTITUCIONAIS
I. Conformidade
+
+
II. Inovação
+
_
III. Ritualismo
_
+
IV. Evasão
_
_
V. Rebelião
+/_
+/_

     O raciocínio acima exposto pode conduzir a errônea conclusão de que aquele que opta pelo comportamento conformista seria ingênuo por acreditar que dedicando-se aos meios institucionais chegaria aos fins culturais. Certamente nem sempre aquele que faz tal opção será plenamente bem sucedido, mas quando o é, o sucesso é estável, concreto.
     Por outro lado, quem adota o comportamento inovador obtém sucesso transitório, efêmero, frágil.
     No comportamento inovador encaixamos o comportamento criminoso. Os que obtém o enriquecimento sem causa, oriundo do crime, precisarão muitas vezes continuar na carreira delitiva para ocultar os resultados de um primeiro crime, não lhes sendo possível gozar do sucesso com a mesma tranquilidade que faz o conformista.
     Tome-se também o exemplo daqueles que procuram a fama fácil ingressando em reality shows ou que são mero produto da indústria de uma época, tais como cantores de “arrocha” ou “sertanejo universitário” que, para se fazer conhecer, precisam indicar os próprios nomes nas letras das suas músicas, quando artistas realmente talentosos serão lembrados décadas após o final de suas carreiras ou seu falecimento (como são exemplos os que aparecem na figura acima).



quarta-feira, 3 de outubro de 2012

terça-feira, 11 de setembro de 2012

"Queres ser curado?"




“Queres ser curado?”
Foi a pergunta que Jesus fez ao paralítico às margens da piscina de Betesda. O doente primeiramente atribui sua dificuldade ao fato de nunca ter alguém que o colocasse na piscina para ser curado. Jesus então ordena: “Levanta-te, toma o teu leito, e anda”. E ele foi curado[1].

Há alguns dias andei enfrentando um pouco de deserto. A gente sabe que faz parte da vida uns momentos de dúvida, altos e baixos, decepções, faltas... Mas apesar de sabermos, há vezes em que não conseguimos assimilar e organizar os pensamentos com facilidade e fiquei um tanto paralisada.

Talvez o maior susto foi um dia que uma amiga comentou: “você já melhorou né? Tá com uma carinha melhor...”, e eu percebi que eu não queria ter melhorado. Eu queria continuar triste, eu queria continuar ruminando, eu queria, talvez, que continuassem se preocupando comigo para, quem sabe, alguém resolver o que estava me incomodando.

Só que ninguém resolve.

Eu tenho certeza de que conto com muitas pessoas que fariam de tudo para nunca me verem triste, mas há situações em que ninguém pode fazer nada, a não ser eu.

Até que chega o ponto em que você tem que encarar a pergunta: “Quer ser curado? Quer que isso passe? Ou vai continuar esperando que alguém te jogue na piscina?”

Até que chega o ponto em que você levanta, pega o leito e anda, porque não é culpa de ninguém se você ainda não fez isso.

Acho interessante o detalhe do paralítico levar o leito com ele. Ele não deixa o passado totalmente para trás, ele não esquece. Mas acontece que carregar o leito é bem diferente de passar o resto da vida deitado sobre ele.

Carregar o leito é entender que certas dificuldades nunca nos abandonarão, é admitir vazios que serão nossa companhia, ausências que não serão preenchidas, mas que mesmo assim é possível andar.

Há sim na vida acontecimentos e sentimentos absolutamente sem sentido. Fatos não têm sentido. Pessoas dão sentido aos fatos.

“É a maneira pela qual vivemos um acontecimento que o vai transformar num sepulcro ou numa porta”.[2]

Façamos as pazes com a vida e andemos.


[1] Jo 5, 1-18
[2] PACOT, Simone. A evangelização das profundezas. Aparecida: Santuário, 2001. p. 40.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

CRIMINOLOGIA E MÚSICA DO DIA: Músicas sobre o "Mal-Estar" na vida urbana

Aqui vão algumas músicas que tratam um pouco sobre a superficialidade dos laços na vida urbana, o que está diretamente relacionado as nossas reflexões sobre a Escola de Chicago.

Alguém lembra de mais músicas sobre este tema?

Aqui tem Pearl Jam, Radiohead (que poderia ter várias), Red Hot Chilli Peppers, Ira, Engenheiros do Hawai e Criolo...



Fake Plastic Trees Radiohead
A green plastic watering can
For a fake chinese rubber plant
In the fake plastic earth

That she bought from a rubber man
In a town full of rubber plans
To get rid of itself

It wears her out, it wears her out
It wears her out, it wears her out

She lives with a broken man
A cracked polystyrene man
Who just crumbles and burns

He used to do surgery
For girls in the eighties
But gravity always wins

And it wears him out, it wears him out
It wears him out, it wears him out

She looks like the real thing
She tastes like the real thing
My fake plastic love

But I can't help the feeling
I could blow through the ceiling
If I just turn and run

And it wears me out, it wears me out
It wears me out, it wears me out

And if I could be who you wanted
If I could be who you wanted
All the time, all the time 

Falsas árvores de plásticos
Um regador verde de plástico
Para uma falsa planta chinesa de borracha
Na Terra artificial de plástico

Que ela comprou de um homem de borracha
Em uma cidade cheia de planos de borracha
Para se livrar de si mesma

Isto a desgasta, isto a desgasta
Isto a desgasta, isto a desgasta

Ela mora com um homem falido
Um homem de poliestireno rachado
Que apenas se esfarela e queima

Ele costumava fazer cirurgias
Em garotas nos anos oitenta
Mas a gravidade sempre vence

E isto o desgasta, isto o desgasta
Isto o desgasta, isto o desgasta

Ela parece ser real
Ela tem sabor de real
Meu amor artificial de plástico

Mas não posso evitar o sentimento
Eu explodiria através do teto
se eu apenas me virasse e corresse

E Isto me desgasta, isto me desgasta
Isto me desgasta, isto me desgasta

Se eu pudesse ser quem você procura
Se eu pudesse ser quem você procura
o tempo todo, o tempo todo


http://www.vagalume.com.br/radiohead/fake-plastic-trees-traducao.html#ixzz25SuQpIVe





I Am Mine Pearl Jam
The selfish, they're all standing in line
Faithing and hoping to buy themselves time
Me, I figure as each breath goes by
I only own my mind

The North is to South what the clock is to time
There's east and there's west and there's everywhere life
I know I was born and I know that I'll die
The in between is mine
I am mine

And the feeling, it gets left behind
All the innocence lost at one time
Significant, between the lines
There's no need to hide...
We're safe tonight

The ocean is full 'cause everyone's crying
The full moon is looking for friends at high tide
The sorrow grows bigger when the sorrow's denied
I only know my mind
I am mine

And the meaning, it gets left behind
All the innocents lost at one time
Significant, behind the eyes
There's no need to hide...
We're safe tonight

And the feelings that get left behind
All the innocence broken with lies
Significant between the lines
We may need to hide

And the meanings that get left behind
All the innocents lost at one time
We're all diferent behind the eyes
There's no need to hide

(yeah) 

Eu pertenço a mim Pearl Jam
Os egoístas estão todos em fila
Acreditando e esperando comprar tempo
Eu imagino como cada suspiro passa
Eu apenas possuo minha mente

O norte é para o sul o que o relógio é para o tempo
Existe o leste e existe o oeste e existe vida em todo lugar
Eu sei que nasci e sei que vou morrer
O que existe no meio me pertence
Eu sou meu

E o sentimento, fica para trás
Toda a inocência perdida de uma vez
Importância entre as frases
Não existe motivo para se esconder
Nós estamos a salvo esta noite

O oceano está cheio porque todos estão chorando
A lua cheia está a procura de amigos na maré-alta
A tristeza fica maior quando a tristeza é negada
Eu apenas conheço minha mente
Eu pertenço a mim

E o significado, fica para trás
Todos os inocentes perdidos de uma vez
Significante atrás dos olhos
Não existe motivo para se esconder...
Nós estamos a salvo esta noite

E os sentimentos que ficam para trás
Toda a inocência quebrada por mentiras
Significância, entre as linhas
Nós podemos precisar nos esconder

E os sentimentos que ficam para trás
Os os inocentes perdidos de uma vez
Nós somos todos diferentes atrás dos olhos
Não existe motivo para se esconder


http://www.vagalume.com.br/pearl-jam/i-am-mine-traducao.html#ixzz25SZ3pOGD




Under The Bridge Red Hot Chili Peppers
Sometimes I feel like I don't have a partner
Sometimes I feel like my only friend
Is the city I live in, the city of angels
Lonely as I am, together we cry

I drive on her streets 'cause she's my companion
I walk through her hills 'cause she knows who I am
She sees my good deeds and she kisses me windy
I never worry, now that is a lie.

Well, I don't ever wanna feel like I did that day
Take me to the place I love, take me all the way
I don't ever wanna feel like I did that day
Take me to the place I love, take me all the way, yeah, yeah, yeah

It's hard to believe that there's nobody out there
It's hard to believe that I'm all alone
At least I have her love, the city she loves me
Lonely as I am, together we cry

Well, I don't ever wanna feel like I did that day
Take me to the place I love, take me all the way
Well, I don't ever wanna feel like I did that day
Take me to the place I love, take me all the way, yeah, yeah, yeah
oh no, no, no, yeah, yeah
love me, I say, yeah yeah

(under the bridge downtown)
(is where I drew some blood)
is where I drew some blood

(under the bridge downtown)
(I could not get enough)
I could not get enough

(under the bridge downtown)
(forgot about my love)
forgot about my love

(under the bridge downtown)
(I gave my life away)
I gave my life away yeah, yeah yeah

(away)
no, no, no, yeah, yeah

(away)
no, no, no say, yeah, yeah

(away)
But I'll stay 

Debaixo da Ponte Red Hot Chili Peppers
Às vezes eu sinto que não tenho um companheiro
Às vezes eu sinto como se fosse meu único amigo
É a cidade em que vivo, a cidade dos anjos
Sozinho como eu estou, juntos nós choramos

Eu dirijo em suas ruas pois ela é minha companhia
Eu ando pelas suas colinas pois ela sabe quem eu sou
Ela vê meus feitos bons e ela me beija com o vento
Eu nunca me preocupo agora que é uma mentira

Bem, eu não quero nunca me sentir como me senti naquele dia
Me leve ao lugar que amo me leve embora
Bem, eu não quero nunca me sentir como me senti naquele dia
Me leve ao lugar que amo me leve embora
É difícil acreditar Que não há ninguém lá fora
É difícil acreditar Que estou totalmente só
Pelo menos tenho seu amor, A cidade me ama
Sozinho como estou Juntos nós choramos

Eu não quero me sentir como me senti naquele dia
Me leve ao lugar que amo me leve embora
Eu não quero me sentir como me senti naquele dia
Me leve ao lugar que amo me leve embora yeah, yeah, yeahoh no, no, no, yeah, yeah
Me ame, eu disse, yeah yeah

(Debaixo da ponte, centro da cidade)
(É onde eu derramei um pouco de sangue)
É onde eu derramei um pouco de sangue

(Debaixo da ponte, centro da cidade)
(Eu não poderia ter o bastante)
Eu não poderia ter o bastante

(Debaixo da ponte, centro da cidade)
(Esqueci do meu amor)
Esqueci do meu amor

(Debaixo da ponte, centro da cidade)
(Eu entreguei minha vida)
Eu entreguei minha vida, yeah, yeah, yeah

(Entreguei)
Não, não, não, yeah, yeah

(Entreguei)
Não, não, não disse, yeah, yeah

(Entreguei)
Mas eu vou ficar


http://www.vagalume.com.br/red-hot-chili-peppers/under-the-bridge-traducao.html#ixzz25SPnQ8iW







Não Existe Amor Em Sp

Criolo

Não existe amor em SP
Um labirinto místico
Onde os grafites gritam
Não dá pra descrever
Numa linda frase
De um postal tão doce
Cuidado com doce
São Paulo é um buquê
Buquês são flores mortas
Num lindo arranjo
Arranjo lindo feito pra você
Não existe amor em SP
Os bares estão cheios de almas tão vazias
A ganância vibra, a vaidade excita
Devolva minha vida e morra afogada em seu próprio mar de fel
Aqui ninguém vai pro céu
Não precisa morrer pra ver Deus
Não precisa sofrer pra saber o que é melhor pra você
Encontro duas nuvens em cada escombro, em cada esquina
Me dê um gole de vida
Não precisa morrer pra ver Deus





Envelheço na Cidade Ira!
Mais um ano que se passa
Mais um ano sem você
Já não tenho a mesma idade
Envelheço na cidade

Essa vida é jogo rápido
Para mim ou pra você
Mais um ano que se passa
Eu não sei o que fazer

Juventude se abraça
Se une pra esquecer
Um feliz aniversário
Para mim ou pra você

Feliz aniversário
Envelheço na cidade
Feliz aniversário
Envelheço na cidade

Meus amigos, minha rua
As garotas da minha rua
Não sinto, não os tenho
Mais um ano sem você

As garotas desfilando
Os rapazes a beber
Já não tenho a mesma idade
Não pertenço a ninguém

Juventude se abraça
Se une pra esquecer
Um feliz aniversário
Para mim ou pra você

Feliz aniversário
Envelheço na cidade
Feliz aniversário
Envelheço na cidade


http://www.vagalume.com.br/ira/envelheco-na-cidade.html#ixzz25STQcD71

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

CRIMINOLOGIA - Finalidade das Penas



FONTE: http://pauloqueiroz.net/a-proposito-da-justificacao-da-pena-em-kant/

A propósito da justificação da pena em Kant

Para Kant, a pena se justificava pelo simples fato de retribuir (justamente) um crime praticado. A pena constituía, então, uma reação estatal legítima à ação ilegítima do indivíduo, independentemente de considerações de caráter utilitário, razão pela qual era de todo irrelevante investigar se a pena seria ou não capaz de motivar ou dissuadir delinquentes, e assim prevenir, em caráter geral ou especial, novos delitos. Enfim, a pena se justificava quia peccatum est.

Com efeito, de acordo com Kant, “as penas são, em um mundo regido por princípios morais (por Deus), categoricamente necessárias”.1 Justamente por isso, “ainda que uma sociedade se dissolvesse por consenso de todos os seus membros (v. g., se o povo que habitasse uma ilha decidisse separar-se e dispersar-se pelo mundo), então, o último assassino deveria ser executado”.2
Por isso, a lei de talião (dente por dente, olho por olho) seria o paradigma da verdadeira justiça, pois “só a lei de talião proclamada por um tribunal pode determinar a qualidade e a quantidade da punição”,3 já que “o mal imerecido que tu fazes a outrem, tu fazes a ti mesmo, se tu o ultrajas, ultrajas a ti mesmo, se tu o roubas, roubas a ti mesmo, se tu o matas, matas a ti mesmo”4. Consequentemente, “todos os criminosos que cometeram um assassinato, ou ainda os que ordenaram ou nele estiveram implicados, hão de sofrer também a morte; assim o quer a justiça enquanto ideia do poder judicial, segundo leis universais, fundamentadas a priori.”.5
Se déssemos razão a Kant, não faria sentido algum a previsão, entre outras situações, de causas de extinção de punibilidade (prescrição etc.), nem de causas especiais de isenção de pena (v.g., alguns crimes patrimoniais praticados contra ascendentes e descendentes), por implicarem a renúncia à punição do autor (em tese) culpado de crime. E uma teoria que veja a pena como uma retribuição jurídica pura e simples não tem como explicar tais casos.
É que as citadas hipóteses de isenção de pena só fazem sentido se tivermos em conta que o direito penal e os conceitos com os quais trabalha (crime, pena etc.) são dimensões do poder político, razão pela qual, antes de tudo, cumpre saber o que pode e deve o Estado, num dado momento histórico, criminalizar/descriminalizar e como fazê-lo.
E uma teoria retributiva simplesmente não tem como responder a questões dessa ordem, visto pressupor já decidido o problema de saber o que pode e deve ser punido e como punir. E tampouco pode dar resposta às críticas das teorias que, partindo do pressuposto de que o sistema penal é estruturalmente injusto, pretendem deslegitimá-lo e aboli-lo, total ou parcialmente.6
Apesar disso, seja qual for a finalidade (declarada) assinalada à pena, ela sempre deverá ter como pressuposto irrenunciável o cometimento de uma infração penal; logo, é, nesse sentido, uma retribuição. Quanto a isso, estamos todos de acordo.
Ferrajoli tem razão, portanto, quando assinala que as teorias retribucionistas confundem razão legal (por que castigar), que se refere à legitimação externa da intervenção penal, com razão judicial(quando castigar), que tem a ver com a legitimação interna, e que consiste precisamente na retribuição. E Kant só se ocupou, em verdade, desse segundo problema.7
1Citado por Welzel, Derecho penal alemán, cit., p. 284.
2La metafisica dei costumi: la dottrina del diritto, trad. Giovanni Vidari, Milano: Studio Editoriale Lombardo, 1916, parte 1ª, p. 144.
3Kant, La metafisica, cit., pp. 142-143.
4Kant, La metafisica, cit., p. 142.
5Kant, Metafisica dos Costumes. Parte 1. Lisboa: Edições 70, p.149.
6No mesmo sentido, Ferrajoli. Derecho y razón. Madrid: Trotta editorial, 1995, p. 256-258.
7Derecho y razón. Madrid: Trotta editorial, 1995, p.256.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

CIÊNCIA POLÍTICA e CRIMINOLOGIA - Para pensar mais uma vez no "Tempos Modernos"

"A economia política não se ocupa dele no seu tempo livre, como homem, mas deixa este aspecto para o direito penal, os médicos, a religião, as tabelas estatísticas, a política e o funcionário de manicômio. (...) ... não conhece o trabalhador desocupado, o homem que trabalha, à medida que ele se encontra fora da relação de trabalho. O trapaceiro, o ladrão, o mendigo, o desempregado, o esfomeado, o miserável e o delinqüente, são figuras de homem que não existem para a economia política, mas só para outros olhos, para os do médico, do juiz, do coveiro, do burocrata, etc."

Marx, Karl. Manuscritos econômico-filosóficos.

CIÊNCIA POLÍTICA E CRIMINOLOGIA - Operário em Construção - Vinicius de Moraes

Operário, Cândido Portinari


Segue abaixo o lindo e triste poema de Vinicius de Moraes, perfeito para refletirmos sobre a alienação do trabalhador que não se vê realizado no próprio trabalho e muitas vezes só deixa de ser "invisível" quando encontra o tratamento penal do Estado, que antes não o protegeu.


Era ele que erguia casas/Onde antes só havia chão./Como um pássaro sem asas/Ele subia com as casas/Que lhe brotavam da mão./Mas tudo desconhecia/De sua grande missão:/Não sabia por exemplo/Que a casa de um homem é um templo/Um templo sem religião/Como tampouco sabia/Que a casa que ele fazia/Sendo a sua liberdade/Era a sua escravidão.

De fato, como podia/Um operário em construção/Compreender por que um tijolo/Valia mais do que um pão?/Tijolos ele empilhava/Com pá, cimento e esquadria/Quanto ao pão, ele o comia.../Mas fosse comer tijolo!/E assim o operário ia/Com suor e com cimento/Erguendo um casa aqui/Adiante um apartamento/Além uma igreja, à frente/Um quartel e uma prisão:/Prisão de que sofreria/Não fosse, eventualmente/Um operário em construção.

Mas ele desconhecia/Esse fato extraordinário:/Que o operário faz a coisa/E a coisa faz o operário./De forma que, certo dia/À mesa, ao cortar o pão/O operário foi tomado/De uma súbita emoção/Ao constatar assombrado/Que tudo naquela mesa/- Garrafa, prato, facão –/Era ele quem os fazia/Ele, um humilde operário,/Um operário em construção./Olhou em torno: gamela/Banco, enxerga, caldeirão/Vidro, parede, janela/Casa, cidade, nação!/Tudo, tudo o que existia/Era ele quem o fazia/Ele, um humilde operário/Um operário que sabia/Exercer a profissão.

Ah, homens de pensamento/Não sabereis nunca o quanto/Aquele humilde operário/Soube naquele momento!/Naquela casa vazia/Que ele mesmo levantara/Um mundo novo nascia/De que sequer suspeitava./O operário emocionado/Olhou sua própria mão/Sua rude mão de operário/De operário em construção/E olhando bem para ela/Teve um segundo a impressão/De que não havia no mundo/Coisa que fosse mais bela./Foi dentro da compreensão/Desse instante solitário/Que, tal sua construção/Cresceu também o operário/Cresceu em alto e profundo/Em largo e no coração/E como tudo que cresce/Ele não cresceu em vão./Pois além do que sabia/- Exercer a profissão –/O operário adquiriu/Uma nova dimensão:/A dimensão da poesia.

E um fato novo se viu/Que a todos admirava:/O que o operário dizia/Outro operário escutava./E foi assim que o operário/Do edifício em construção/Que sempre dizia sim/Começou a dizer não./E aprendeu a notar coisas/A que não dava atenção:/Notou que sua marmita/Era o prato do patrão/Que sua cerveja preta/Era o uísque do patrão/Que seu macacão de zuarte/Era o terno do patrão/ Que seus dois pés andarilhos/Eram as rodas do patrão/Que a dureza do seu dia/Era a noite do patrão/Que sua imensa fadiga/Era amiga do patrão.

E o operário disse: Não!/E o operário fez-se forte/Na sua resolução./Como era de se esperar/As bocas da delação/Começaram a dizer coisas/Aos ouvidos do patrão./Mas o patrão não queria/Nenhuma preocupação./-- Convençam-no do contrário –/Disse ele sobre o operário/E ao dizer isso sorria.

Dia seguinte, o operário/Ao sair da construção/Viu-se súbito cercado/Dos homens da delação/E sofreu, por destinado/Sua primeira agressão./Teve seu rosto cuspido/Teve seu braço quebrado/Mas quando foi perguntado/O operário disse: Não!

Em vão sofrera o operário/Sua primeira agressão/Muitas outras se seguiram/Muitas outras seguirão./Porém, por imprescindível/ Ao edifício em construção/Seu trabalho prosseguia/E todo o seu sofrimento/Misturava-se ao cimento/Da construção que crescia.

Sentindo que a violência/Não dobraria o operário/Um dia tentou o patrão/Dobrá-lo de modo vário./De sorte que o foi levando/Ao alto da construção/E num momento de tempo/Mostrou-lhe toda a região/E apontando-a ao operário/Fez-lhe esta declaração:/- Dar-te-ei todo esse poder/E a sua satisfação/Porque a mim me foi entregue/E dou-o a quem bem quiser./Dou-te tempo de lazer/Dou-te tempo de mulher./Portanto, tudo o que vês/Será teu se me adorares/E, ainda mais, se abandonares/O que te faz dizer não./Disse, e fitou o operário/Que olhava e que refletia/Mas o que via o operário/O patrão nunca veria./O operário via casas/E dentro das estruturas/Via coisas, objetos/Produtos, manufaturas./Via tudo o que fazia/O lucro do seu patrão/E em cada coisa que via/Misteriosamente havia/A marca de sua mão./E o operário disse: Não!

- Loucura! – gritou o patrão/Não vês o que te dou eu?/- Mentira! – disse o operário/Não podes dar-me o que é meu./E um grande silêncio fez-se/Dentro do seu coração/Um silêncio de martírios/Um silêncio de prisão/Um silêncio povoado/De pedidos de perdão/Um silêncio apavorado/Como o medo em solidão/Um silêncio de torturas/E gritos de maldição/Um silêncio de fraturas/A se arrastarem no chão./E o operário ouviu a voz/De todos os seus irmãos/Os seus irmãos que morreram/Por outros que viverão./Um esperança sincera/Cresceu no seu coração/E dentro da tarde mansa/Agigantou-se a razão/De um homem pobre e esquecido/Razão porém que fizera/Em operário construído/O operário em construção.”

quarta-feira, 23 de maio de 2012

DOZALUNO - Criminologia, objetivos culturais, modelos de adaptação individual...

Grande contribuição da Jocieli, que inclusive até já sugeriu a pergunta para a prova:

"Ó prof. Patricia uma questão para prova: "O crime é fruto do descompasso entre os meios institucionais e os fins culturais". Relacione o quadrinho com a afirmação de Merton."

Vai que resolvo aceitar a idéia dela?...


* "Dozaluno" é o espaço aqui no blog para compartilhar as contribuições enviadas por meus alunos.

terça-feira, 15 de maio de 2012

LEITURA DA SEMANA: Identidade - Zygmunt Bauman

Inaugurando um espaço novo aqui no blog e também para me impor a obrigatoriedade de manter uma carga de leitura mais constante, passarei a contar e eventualmente comentar, aquilo que eu estiver lendo no momento.

Na verdade nunca estou lendo um livro só... Se meu único criado não fosse mudo, ele diria: "Ai minhas costas!"

Entre todas as leituras por que pularei de semana em semana, escolherei alguma ou algumas e seus trechos, para sugerir aqui.

No momento, estou adorando um livrinho do Zygmunt Baumann, chamado "Identidade" e todas as suas reflexões sobre ainda termos a possibilidade do sentimento de pertença nos tempos da modernidade líquida.



"Lugares em que o sentimento de pertencimento era tradicionalmente investido (trabalho, família, vizinhança) são indisponíveis ou indignos de confiança, de modo que é improvável que façam calar sede por convívio ou aplaquem o medo da solidão e do abandono. Daí a crescente demanda pelo que poderíamos chamar de 'comunidades guarda roupa' [...] As comunidades guarda roupa são reunidas enquanto dura o espetáculo e prontamente desfeitas quando os espectadores apanham os seus casacos nos cabides. [...] Quando a qualidade o deixa na mão ou não está disponível, você tende a procurar a redenção na quantidade".

Entre minhas manias mais antigas está sempre ler a última frase do livro antes de começar a ler. A última do Identidade é "Tente, o máximo possível, evitar este problema." Não é pra ficar louco para terminar de uma vez?


As provocações me fizeram lembrar de uma música do álbum mais novo do Teatro Mágico: "Eu não sei na verdade quem eu sou".

Eu Não Sei Na Verdade Quem Eu Sou O Teatro Mágico
Eu não sei na verdade quem eu sou
já tentei calcular o meu valor
Mas sempre encontro sorriso e o meu paraíso é onde estou
Por que a gente é desse jeito?
criando conceito pra tudo que restou
Meninas são bruxas e fadas
Palhaço é um homem todo pintado de piadas
Céu azul é o telhado do mundo inteiro
Sonho é uma coisa que fica dentro do meu travesseiro
Mas eu não sei na verdade quem eu sou
Já tentei calcular o meu valor
Mas sempre encontro sorriso
E o meu paraíso é onde estou
Eu não sei... na verdade quem eu sou
Descobrir
Da onde veio a vida
por onde entrei
Deve haver uma saída
mas tudo fica sustentado
Pela fé
Na verdade ninguém
Sabe o que é

Velhinhos são crianças nascidas faz tempo
com água e farinha colo figurinha e foto em documento
Escola! É onde a gente aprende palavrão...
Tambor no meu peito faz o batuque do meu coração

Mas eu não sei na verdade quem eu sou
Já tentei calcular o meu valor
E sempre encontro sorriso... e o meu paraíso é onde estou
Eu não sei na verdade quem eu sou

Perceber que a cada minuto
tem um olho chorando de alegria e outro chorando de luto
tem louco pulando o muro, tem corpo pegando doença
tem gente rezando no escuro, tem gente sentindo ausência

Meninas são bruxas e fadas
Palhaço é um homem todo pintado de piadas
Céu azul é o telhado do mundo inteiro
Sonho é uma coisa que guardo dentro do meu travesseiro
http://www.vagalume.com.br/o-teatro-magico/eu-nao-sei-na-verdade-quem-eu-sou.html#ixzz1uy9NVxtK

domingo, 13 de maio de 2012

terça-feira, 8 de maio de 2012

CIÊNCIA POLÍTICA - Admirável Mundo Novo



Segue o link para baixar o Admirável Mundo Novo.

http://www.4shared.com/office/I7P_QoMQ/Aldous_Huxley_-_Admirvel_Mundo.html


sábado, 28 de abril de 2012

"Chove lá fora..."




Os dias de chuva não são os meus preferidos.

Mas não posso negar que também eles têm a sua beleza.

O cinza de fora ajuda a pensar nos cinzas de dentro, afinal, a vida não é feita só de colorido e de dias ensolarados.



Quando a vida nos traz mau tempo, deveríamos nos comportar de forma semelhante ao que fazemos nos dias de chuva.



Não sair de casa desnecessariamente. A tempestade é um excelente motivo para passar um tempo sozinho, em silêncio, reorganizando pensamentos.



Se deixar teu cantinho for inevitável, vá com calma. O trânsito, na chuva, fica bem mais difícil, exige atenção e paciência. A vida, nas tormentas, também é assim. É difícil encontrar vaga para estacionar, os vidros embaçam, tudo fica mais lento. Pressa, num momento difícil, vai só piorar as coisas. Se você sair correndo é possível que molhe muitos pedestres pelo caminho. Só quem já foi um pedestre desavisado ao lado de uma poça em um dia de chuva vai entender o que estou dizendo. Cuidado com quem você atinge com a pressa para sair do aguaceiro.



Mantenha as luzes acesas. Não importa se ainda é dia, você vai precisar de mais luzes para se virar em tempos escuros. Lembrar quem você é e quem você quer ser, será o melhor farol. Ouvir bons conselhos funcionará como “olhos de gato” ao longo do caminho.



Caso você realmente se encharque na chuva, isso não é tão grave.
O certo, tanto em relação às chuvas, quanto aos momentos difíceis, é que, da mesma forma que é impossível uma vida inteira sem eles, eles passam.



A chuva pode ser uma grande oportunidade de exibir por aí o teu guarda chuva mais colorido e mostrar que quem decide as cores da tua vida, é você.



E, a seguir, no melhor estilo “qualéamúsica”, se a palavra é chuva, aí vai a melhor música:

Raindrops Keep Falling on My Head Burt Bacharach
Raindrops falling on my head
And just like the guy whose feet are too big for his bed
Nothin' seems to fit
Those raindrops are falling on my head, they keep falling

So I just did me some talkin' to the sun
And I said I didn't like the way he' got things done
Sleepin' on the job
Those raindrops are falling on my head, they keep falling

But there's one thing I know
The blues they send to meet me won't defeat me
It won't be long till happiness steps up to greet me

Raindrops keep falling on my head
But that doesn't mean my eyes will soon be turnin' red
Crying's not for me
Cause I'm never gonna stop the rain by complainin'
Because I'm free
Nothing's worrying me.

It won´t be long till happiness steps up to greet me

Raindrops keep falling on my head
But that doesn't mean my eyes will soon be turnin' red
Crying's not for me
Cause I'm never gonna stop the rain by complainin'
Because I'm free
Nothing's worrying me.


http://www.vagalume.com.br/burt-bacharach/raindrops-keep-falling-on-my-head.html#ixzz1tNDMKQ6v