segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Apenas células?

Recentemente passei por duas experiências marcantes na vida de qualquer pessoa e especialmente na vida de uma mulher. Tive a alegria de saber que estava grávida e a tristeza de saber que o meu bebê havia parado de se desenvolver com 9 semanas de vida.

Já havia lá um forte coração que ainda na sexta semana de gestação eu e o pai dele ouvimos.

Na oitava semana o coração ainda batia forte, mesmo em um corpinho de apenas 2 centímetros, aonde os dois hemisférios cerebrais já começavam a ser vistos na ecografia.

Não era o plano divino que esta vida continuasse conosco e eu agora já assimilei muito bem isto, compreendendo que tudo concorre para o bem dos que amam a Deus. Sempre.

Porém, algo que vi publicado nas redes sociais há alguns dias quase me causou mais pesar do que a perda do bebê.

Foi muito doloroso ler uma publicação afirmando que até a 12ª semana trata-se apenas de um amontoado de células.

Eu gostaria então de dizer a quem compartilhou e acredita nisto que eu e meu marido não perdemos um amontoado de células, nós perdemos um filho ou uma filha.

Afirmações do tipo “a mulher é dona do seu corpo” nunca me convenceram, afinal de contas: e do corpo do bebê, quem é dono? Mas agora, depois de ter vivido a experiência de ser mãe estou ainda mais convencida de que durante os dias em que tive meu bebê comigo eu é que pertencia a ele.

Penso que levar ou não adiante uma gestação é decisão que recai sobre a consciência dos pais, cabendo a estes decidir sobre seus padrões morais e as consequências de suas escolhas, sendo discutível até que ponto cabe ao Estado interferir.

O que não admito é que se afirme que não se trata de uma vida. Independentemente das circunstâncias em que tenha sido gerada.

A palavra aborto é apenas um nome mais específico para uma realidade que não há como esquecer: em muitos casos esta palavra se refere sim  a uma morte e em outros tantos se refere a um assassinato.

domingo, 9 de agosto de 2015

Cuide da minha joia



“Cuide da minha joia”

Há quem diga que o ritual do pai levar a filha até ao altar, aonde a entrega ao genro, seria uma celebração do machismo e de relações patriarcais, em que a mulher sairia do jugo de um homem passando a ser propriedade de outro.
É possível que tenham pequena medida de razão.

Mas eu aqui vejo a celebração de anos de depósitos diários de amor, dedicação, preocupação, sono perdido, alegria, orgulho e cuidado com tantas pequenas e grandes necessidades e aprendizados que um filho proporciona. Aqui eu vejo as recordações da vida toda passando enquanto se caminha pelo corredor da Igreja com a sensação de segurar ainda a mão de uma menininha.

Ali o coração e a garganta apertam. Ali a pergunta é: “amará como eu amo”?

O passo seguinte é o respeito à decisão da filha, o reconhecimento à coragem do genro (coragem que um dia também teve diante de outro grande pai e imitando o seu próprio) e ainda mais amor, agora aos dois. É um ato de confiança em Deus e em tudo que passou a vida sendo e ensinando: “agora é com vocês”.

Um abraço, um beijo e uma recomendação ao novo filho: “cuide da minha joia”. Todos aplaudem porque sabem que grande pai você é.

Com confiança e com a mesma medida de cuidado foi que meu pai fez de mim o que eu sou. Acompanhando cada pequeno e grande passo, sentindo as ausências, permitindo voos e me amando incondicionalmente.

Caráter, seriedade, simpatia, amor a Deus e disposição que deixaram e deixam marcas em mim e no meu irmão e nos serão sempre grande inspiração.

Obrigada pai por ter sempre feito com que eu me sentisse uma joia. Obrigada por ser generoso com sua joia.

Muito obrigada por ser tão pai, pai!

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Dia do Amigo



O Dia do Amigo é realmente um dia que vale a pena ser lembrado e aproveitado para se enviar um abraço, um oi, uma foto, seja o que for, para aqueles que preenchem a nossa vida de alguma maneira especial.

Nestes tempos em que precisamos estudar tanto, trabalhar mais ainda, incentivados sempre à competitividade, talvez fique cada vez mais difícil encontrar verdadeiros amigos. Encontrar pessoas com quem nos identificamos e que sintam como suas as nossas alegrias e tristezas, nossos sucessos e frustrações.

Graças a Deus tenho várias dessas pessoas na minha vida.

Pensando nisto lembrei hoje de duas passagens bíblicas que nos devem servir sempre como alerta nos nossos relacionamentos.

Uma foi a parábola do filho pródigo, ou, melhor ainda, do Pai Rico em Misericórdia. Recordei aí a figura do irmão mais velho, indignado pelo fato do Pai celebrar o retorno do mais jovem, chateado porque sempre esteve ao lado do pai e parece não se sentir reconhecido. A ele o pai apenas diz: você não sabe que tudo o que é meu, é teu? (Lc 15,31)

Outra parábola fala de um empregador que durante todo o dia convidou pessoas para com ele trabalhar e ao final da jornada remunerou a todos da mesma maneira, sem diferenciar os primeiros dos últimos. Os da primeira hora também ficam indignados e ouvem do empregador: por acaso não estou distribuindo do que é meu? Por acaso não estou lhes pagando exatamente o que prometi desde o início? (Mt 20, 13-16)

Como é revigorante conviver com pessoas que cuidam de seus próprios interesses, correm atrás de suas metas, sabendo que seu sucesso depende só de si, sem qualquer relação com o sucesso alheio. Se o outro é reconhecido, isto nada muda no reconhecimento que meus esforços também merecem. Se o que me foi prometido está garantido, nada me importa sobre o que é prometido aos demais.

O sentido que dou à minha vida, meus estudos ou meu trabalho cabe apenas a mim e não a qualquer outra pessoa. O problema é quando o sentido falta e o preencho na observação dos êxitos alheios e não para os comemorar.

Feliz dia do “rir com os que riem” e do “chorar com os que choram”! (Rm 12,15)